Barra Gazeta
 

Equipe

Downloads

Home 404 Todo Seu
Página não encontrada!
Página não encontrada
Todo Seu

Todo Seu

Fonte: Site Folha.com

O cantor e apresentador do programa "Todo Seu" (TV Gazeta), Ronnie Von, 66, revela no vídeo abaixo qual é o clima ideal para casais que pretendem celebrar o Dia dos Namorados.

"Modernidades" como dividir a conta do restaurante não integram a lista de sugestões deste eterno romântico. A lista completa de dicas Ronnie Von para "bonitinhos e bonitinhas" (como se refere aos espectadores) será publicada na revista sãopaulo deste domingo. Não perca!

Em um fim de tarde de inverno na cidade de São Paulo, Ronnie Von, apresentador da TV Gazeta, prestes a completar 67 anos, abriu a porta de sua moderna residência no Morumbi, zona sul, ao UOL Televisão. No hall de entrada da casa a obra original “Amamentação”, do pintor espanhol Picasso, ilustra a parede. “Esse é o meu quadro preferido”, declara.

As salas são cercadas por revistas de decoração, quadros e livros sobre o pintor catalão Salvador Dalí. Uma biografia dos "Beatles" ao lado de um rádio, também ressalta a paixão de Ronnie pela música. “Ontem fizeram uma surpresa para mim e levaram a minha cantora predileta, Jane Monheit, no programa. Abracei e dei oito beijos nela”, conta o apresentador no mesmo momento em que coloca o CD de sua "musa" para tocar.

Ronnie negou que irá substituir Luciana Gimenez no "Superpop", da RedeTV!. “Essa história de substituir a Luciana, nunca ouvi falar, nunca ninguém me disse isso. Não sei da onde surgiu isso.”

O "príncipe", como era chamado na década de 70, falou sobre sua relação com as mulheres e afirmou que todas as mulheres gordinhas com quem ele viveu um romance "e que tenham estado na horizontal foram impecáveis." Ronnie comentou também sobre seu casamento de 25 anos, a doença que quase tirou sua vida em 1979, o vasto conhecimento do universo feminino que obteve ao criar o casal de filhos sozinho, além de apresentar seus objetos de decoração preferidos. Leia mais abaixo.

UOL - Você está desde 2004 à frente do programa “Todo Seu” e recentemente completou a marca de 1500 apresentações. Ao que se deve o sucesso?
Ronnie Von - A televisão é o meu ópio, faz um bem danado e eu gosto muito. O melhor de tudo é que eu não sou cobrado por audiência, mas sim por qualidade. Programa de televisão é basicamente prestação de serviço, informação, entretenimento correto e preocupação social. Só precisa disso. Meu programa é simples, só não faz aquilo que todo mundo está fazendo. Eu detesto reality show, não suporto aquilo. Ver as pessoas, aquela exposição, parecem bichos enjaulados. Acho um engano. Não assisto.

UOL - Até que ponto você se envolve na produção do programa?
Ronnie Von - Não me envolvo com a produção, pois todo mundo que está lá me conhece e sabe o que eu gosto. É uma produção muito jovem, dinâmica e que tem a mesma visão que eu tenho. Eles jamais levariam alguém que eu não gostasse ou escolheriam uma pauta que eu ficasse desconfortável. A minha função é perguntar. Chego na emissora às 17h30, passo o programa, leio a vida de todo mundo que vou entrevistar e apresento.

UOL - Já recebeu alguma proposta para sair da emissora?
Ronnie Von - Já recebi várias propostas, mas não fui pelo conforto emocional que eu tenho. Dinheiro não é tudo. Você pode ganhar muito dinheiro em pouco tempo, mas depois ficar em um belo de um freezer. Eu gosto do que eu faço e quero continuar trabalhando. A televisão para mim está em um momento de grande equívoco que é esse minuto a minuto. Acho isso uma doença, uma metástase, que pode acabar com a televisão, porque a gente perdeu o controle. Hoje é pornografia, violência. Eu não tenho palheta para fazer isso, até gostaria, mas não sei fazer. Estou em uma casa que deixa eu levar a minha cantora predileta [Jane Monheit]. Em que programa de televisão eu conseguiria fazer isso? Onde eu posso falar de literatura e de arte? Peço para o pessoal que trabalha com comunicação, televisão, reveja esse conceito. É um desrespeito com o próprio público você alterar uma pauta porque a audiência não está subindo. Jamais você vai-me ver polemizar no ar, porque o respeito que o ser humano tem que ter pela ideia do outro é fundamental. Essa coisa deselegante, grosseira de polemizar, não tenho talento para isso. Apresento programas desde 1966 e nunca consegui polemizar, não sei fazer isso, acho um desrespeito.

UOL – Você foi “boicotado” pela Globo para ir ao programa do Roberto Carlos, na TV Globo, quando estava na Record. Como você vê esses boicotes acontecendo até hoje na TV? Você acha que essa briga de emissoras um dia acaba?
Ronnie Von - Essas coisas sempre aconteceram e sempre irão acontecer, fazem parte dos mecanismos da TV. Vale lembrar que as emissoras de TV são negócios, empresas, como quaisquer outras. A disputa é saudável sempre, desde que não caia na apelação, na baixaria. Aí eu já não concordo.

UOL - Qual sua relação com o Roberto Carlos?
Ronnie Von - Posso dizer que eu e o Roberto somos amigos, daqueles que pouco se vêem, mas que se respeitam e que se admiram. E esse respeito e admiração só crescem e amadurecem ao longo do tempo.

UOL - Por que você ficou com a guarda dos filhos que tem com a Aretusa, sua primeira mulher? Como você conseguiu isso na década de 70?
Ronnie Von - Isso foi uma atitude de amor da minha ex-mulher. Nós não brigamos, não teve ação judicial, nada. Ela achou que eles ficariam melhores em minhas mãos. Reconhecidamente eu sou uma mãe de primeiríssima grandeza. Não tem modéstia nessa história [risos].

UOL - Como foi ser pai e mãe? Qual sua relação com os filhos?
Ronnie Von - O início foi muito complexo. Eu sou produto de uma cultura machista. As mães são machistas e criam os filhos como machinhos. Eu queria acertar, ninguém me ensinou a cuidar de filhos. Você precisa se adaptar ao momento. Tentei criar meus filhos como minha mãe me criou, estando sempre presente, conversando, dando amor, tentando estar sempre junto no almoço ou jantar, isso é fundamental, pois é o horário que saem as conversas. Também gostava de levar e buscar no colégio. Fui mãe boazinha, mãe repressora, colocava a mão na testa e dizia vocês não reconhecem meu esforço, aquela chantagem emocional que toda mãe faz. Tive todo tipo de dificuldade e acho que criei dois seres humanos corretos, a Alessandra hoje com 40 anos e o Ronaldo com 39.

UOL - Sofreu algum preconceito por entender e fazer parte do “universo feminino”?
Ronnie Von - Sem dúvida alguma. Eu comecei a gostar das coisas de casa, cama, mesa e banho, até hoje eu vejo isso. Comecei a gostar de moda feminina, pois eu que vestia minha filha e senti o preconceito dentro de casa, ao receber meus amigos. Um amigo me disse: “até você Ronnie, jogando água fora da bacia”. Uma vez fui comprar lingerie para minha filha e juntou uma galera na porta da loja e começou a gritar coisas horríveis. Era uma coisa preconceituosa brava. Tive preconceito por parte das mulheres também. Quando descobri que minha filha estava com ovário policístico fui fazer um curso de fisiologia feminina, para conhecer o corpo da mulher e no início não fui bem recebido. Como convivo com o corpo de homem, sei mais ou menos. Mas, de mulher, eu sei tudo. Tenho uma visão feminina da vida. Eu tenho medo de mulher. Porque mulher é muito determinada, quando ela quer uma coisa ela consegue, porque a mulher consegue dobrar os homens de uma maneira ou de outra. Esse sempre foi um mundo matriarcal e hoje está sendo mais clara essa história, porque a mulher compete em todos os níveis com o mundo masculino e vence a batalha.

UOL - Qual é a sua relação com as mulheres?
Ronnie Von - Eu passo as dicas do que nós homens gostamos, entrego o ouro. Vocês mulheres pegam essas revistas femininas, vêem “aqueles cabides” e acham que aquilo ali é o centro estético perfeito, mas não é. Homens não gostam de mulheres siliconadas, aqueles peitos duros, que parecem mancebos. Tem que ter aquela leve caída. Não gostamos de mulheres magrelas, tem que ter alguma coisa pra pegar. A mulher com sobrepeso tem mais testosterona, segundo um amigo ginecologista. Não posso me queixar [risos]. Por experiência vivencial, todas as mulheres gordinhas com que eu vivi um romance e que tenham estado na horizontal foram impecáveis. Sendo que a maior delas é essa bonitinha que divide a cama e a casa comigo. Show de bola! [risos]. Para você ter uma ideia, eu que visto a Cristina, compro seus sapatos, roupas. Fecho uma loja, peço para me servirem champagne e a “Kika” desfila toda a coleção para mim. O “tio Ronnie” determina o que fica bom e o que não fica. Lingerie fundamentalmente também, porque sou eu que tiro. Compro seda pura, natural, coisa de filme.

UOL - Você aproveitou muito seus tempos áureos, com sua fama de galã?
Ronnie Von - Não. Eu trabalhava muito, não tinha tempo, casei com 19 anos e poucas pessoas sabiam que eu era casado. Eu não pulava a cerca, soube conviver com o negócio da fama. Uma vez acordei com uma menina, fã, embaixo da minha cama e eu estava dormindo com a minha primeira mulher. Foi um terror, essa menina tinha 16 anos. Eu tinha muito medo, pois volta e meia tinha algum rolo, apareciam notícias “fulano disse que é filho de sicrano”, “mulher disse que teve filho de fulano”. Eu gosto muito de mulher, de sexo, mas não sou de pular a cerca. Uma coisa que vocês mulheres precisam entender é que mulher nenhuma tira homem de casa; quem manda para fora de casa é a própria mulher, porque se alguma coisa está errada, o relacionamento está errado. Quando acontece isso é porque fundamentalmente na horizontal não está dando certo.

UOL -Você se vê até hoje como um galã?
Ronnie Von - Nunca me vi como galã. Sempre fui tímido demais para isso, mas se as pessoas me consideram um, que bom! Tem gente que se ofende quando é chamado assim. Que bobagem! Qual o problema se alguém lhe acha bonito ou lhe considera um galã?

UOL - Quais os cuidados de beleza que você tem?
Ronnie Von - É engraçado, eu fui um dos primeiros a ser chamado de metrossexual, mas na verdade estou longe de ser um. Sou vaidoso no sentido de estar sempre arrumado, penteado, perfumado. No entanto não tenho grandes cuidados de beleza, por assim dizer, vou à dermatologista com certa frequência e só. Nem exercício eu posso mais fazer devido às várias hérnias de disco que adquiri ao longo da vida.

UOL – Sofre assédio quando sai nas ruas?
Ronnie Von - Sim. Uma vez estava em almoço de negócios e a cantada veio ao contrário. Uma menina de uns 16 anos chegou a mim e disse: “Ronnie você é o sonho de consumo daquela mulher que está sentada ali. Ela deita no chão para você passar em cima, o que você quiser você pode fazer.” Eu disse pelo amor de Deus. Eu gelei, fui à mesa cumprimentar a mulher e ela me disse confirmo tudo o que ela lhe falou.

UOL - Você recebe cartas de fãs? Como são?
Ronnie Von - Recebo, claro. Tenho mensagem de todos os tipos. Cartas mais sucintas, algumas pesadas, coisas inconfessáveis. Tem a fã que assedia, nem digo que seja fã, mas essa a Cristina administra muito bem. A mulher hoje está atiradíssima.

UOL - Como foi ter sobrevivido a polineurite pluirradicular (inflamação do sistema nervoso que causa paralisia), uma doença rara? Como você está hoje?
Ronnie Von - A doença, com certeza, foi um divisor de águas na minha vida. Ninguém que já se viu cara a cara com a morte volta à vida do mesmo jeito que era antes. Felizmente não fiquei com sequelas graves e estou muito bem!

UOL - Dizem que você teve dois momentos em sua vida: um antes e outro depois da Cristina. Por que?
Ronnie Von - Estou há 25 anos casado com ela, ou melhor, há 25 dias, porque para mim estou sempre em início de lua de mel. Eu falo AC e DC; antes e depois da Cristina. Ela devolveu o norte da minha vida. A Cristina me devolveu a vida, o crédito na vida, a fé nas mulheres. Eu passei por problemas muitos sérios com os meus relacionamentos. Eu não conhecia o valor de um amor incondicional. Ela me deu um filho, o Leonardo, 24, que é músico.

UOL - Ronnie você é filho de diplomata, vem de uma família tradicional, acha que isso influenciou sua carreira?
Ronnie Von - É infelizmente [risos]. Eu sofri por parte da minha família um brutal preconceito. Meu pai tinha um negócio e eles queriam que eu fosse o sucessor. Ouvi histórias do tipo: “onde foi que nós erramos?”, “O que vai ser do nome da nossa família?”, “Nós criamos uma cobra”. Foi muito, muito complicado. Meu pai dizia: “por que você não vai ser jogador de futebol, se quer ganhar dinheiro?” Minha família, no início, tentou me persuadir de tal maneira, colocou que a atividade de músico era de fato marginal, uma coisa ruim, suja, que empobrecia as pessoas, financeiramente e emocionalmente. Isso ficou muito gravado na minha mente. Sofri o preconceito da própria mídia. Hoje, se você quiser fazer sucesso só existe um caminho: dinheiro. É preciso ser multimilionário para conseguir gravar um disco. Na época não, o chique era ser pobre, oriundo de uma favela, um gueto qualquer, para você ser respeitado, fazer sucesso. Por causa da profissão e posição do meu pai, ouvia: “essa ‘calcinha de veludo’ está ocupando o lugar de alguém que precisa”, “filhinho de papai”, “usurpador do trono do rei”, em referência ao Roberto Carlos. As críticas eram feitas em rádios também.

UOL - Você iniciou sua carreira como cantor e depois foi para TV. Como foi essa mudança?

Ronnie Von - Eu era amigo de um pessoal que tinha uma banda cover dos Beatles, “Brazilian Bitles”, e numa dessas fui assistir um show deles, com uma namoradinha, e eles me chamaram, eu tentei fugir, mas me jogaram no palco e eu cantei uma música. Me aplaudiram, eu me senti o máximo. Um jovem executivo de gravador estava lá. Antigamente tinha isso, as pessoas iam assistir shows. Eu sou um filhote de gravador, nunca escondi isso. E era o João Araújo, pai do Cazuza. Ele me convidou para gravar um disco. “Enlouqueceu! Minha família me enforca de cabeça para baixo em praça pública”, disse. Ele me convenceu, disse que iria fazer uma experiência comigo no estúdio e íamos gravar uma música em inglês e outra em português, só para ver como ficava. Fomos ao estúdio e gravamos. Meu pai, sem saber, ajudou-me a compor a música Meu Bem (uma versão em português da música Girl dos Beatles). Ele achou que eu estava fazendo aquilo para o “Brazilian Betles” gravar em português. Um dia eu estava voltando do escritório, ouvindo o programa “Disco Estrelinha”, na rádio Tamoio e, de repente, ouço “disco estrelinha, o disco que começa a brilhar”, e era eu cantando. Encostei o carro, pois não tinha condição para continuar dirigindo. Ouvi a música até o fim. Depois fui apresentar o programa do “Brazilian Betles”, na TV Excelsior sábado à tarde. Passaram o vídeo aqui em São Paulo, quando estavam reunidos na casa do Agnaldo Rayol, Tuta [dono da rede Jovem Pan], Nilton Travesso, os dois meus amigos até hoje, e o Manoel Carlos. Eles produziam o “Corte Raiol Show”. Me convidaram para participar do programa. Voltei para o Rio de Janeiro e as coisas não estavam muito boas para o meu lado. Meus amigos viraram às costas para mim, pois eu não estava fazendo música engajada, estava fazendo música de cabeludo, eletrônica, com guitarra elétrica. Eu estava sem o suporte da famíla e dos amigos. São Paulo me chamando e resolvi vir embora. Deixei o conforto do Rio de Janeiro e fui morar em um hotel na Praça Júlio de Mesquita, em São Paulo. Fiquei fazendo os programas de televisão e divulgando meu disco. Depois de um mês estourou meu disco e aí eu joguei minha âncora em São Paulo. Eu tenho uma gratidão inominável por essa cidade, embora eu seja carioca, São Paulo deu uma abertura para mim espetacular.

UOL - Você tem vontade de voltar a cantar? Tem algum projeto?
Ronnie Von - Eu não tenho tempo. Nós estamos conversando e eu estou há 20 minutos atrasado para o meu maior compromisso, que é ir para televisão. Durante o dia vou para agência de propaganda. Aos fins de semana também trabalho. O único retorno que temos na carreira musical são os shows e eu não tenho tempo. Penso em gravar um disco com meu filho Leonardo, mas depois que ele construir a carreira dele.

UOL - Como surgiu o apelido “Pequeno Príncipe”?

Ronnie Von - Eu fui convidado para o programa da Hebe, quando o disco estourou. Nesse dia meu pai também havia sido convidado e eu não sabia. Ele contou que eu era aviador e a Hebe disse para mim: “Puxa mais você tem um jeito tão suave, como pode ser aviador”. Aí eu citei o filósofo e literato Saint-Exupéry, que também era aviador e havia escrito o livro “O Pequeno Príncipe”. Aí, a Hebe na hora disse “O 'Pequeno Príncipe'! Ele não é a cara do ‘Pequeno Príncipe'?”, perguntou para plateia, que concordou.

UOL - Qual sua relação com a apresentadora Hebe Camargo?
Ronnie Von - É bastante cordial. Ela foi meu mais íntimo amigo, eu não dava um passo sem falar com ela. Nós tivemos a amizade estremecida por alguém que contou uma fofoca e ficamos muito tempo sem nos falar. Hoje estamos de volta com a amizade, mas devo confessar que é o tal do espelho quebrado, você pode colar que não reflete a mesma imagem. Continuo adorando a Hebe. Acho-a um ícone, um exemplo, curto ela de montão. Encontramo-nos sempre, principalmente na casa do Fausto [Silva], que é meu irmãozão. Gosto muito dela, mas hoje não sei se posso dizer que ela é meu melhor amigo. Continua minha amiga, mas foi meu melhor amigo. Ela me casava e descasava. Dizia: “Não se envolva com essa vagabunda.“

UOL - Como surgiu o termo “bonitinha” e “bonitão”?
Ronnie Von - É uma coisa da minha família. Meu irmão chamava a Cristina de bonitinha, aí eu comecei a chamar também, depois chamava minhas amigas assim e depois levei isso para televisão. E depois veio o bonitão.

UOL – Conta como foi o episódio do “significa”. Você imaginava que fosse parar no TopFive do "CQC"?
Ronnie Von - É um tormento porque o programa tem hora para acabar, o diretor fica falando na sua orelha, tenho que chamar o merchandising, eu preciso olhar para o piloto da câmera, ver onde ele está, é um tempo espremido... E o cara mandou um e-mail assim --“Eu fui a uma festa na casa de um amigo, do meu amigo, e a partir daí nunca mais deixei de pensar nele, durmo e acordo pensando em estar ao lado dele, sonho com ele todos os dias, quero estar ao lado dele. Isso significa que sou gay?” “Significa”--, respondi. Partir para outra pergunta, mas o Tas, que é meu amigo, estava vendo o programa. Me param na rua e gritam “significa”.

UOL - Você usa as redes sociais como Facebook, Twitter, Orkut? Pensa usar no programa?

Ronnie Von - Na minha vida pessoal não uso nada disso. Sou antiquado nesse ponto, nem celular eu tenho! No programa eu não sei. Estou ciente da importância dessas novas tecnologias, se for necessário usaremos.

UOL - Fora a TV você exerce alguma atividade extra?
Ronnie Von - Sempre sonhei em ter uma agência de propaganda. Adoro propaganda e hoje é meu negócio paralelo. Embora minha paixão por televisão seja inominável. Hoje eu tive um dia medonho, dia que o “pau comeu”: advogado, inadimplência, confusão, rolo de todo tipo, cliente enlouquecendo. Mas você pode ter a mais pura certeza que hoje eu vou chegar na TV, vão acender o piloto da câmera e eu não pensarei em mais nada.

UOL - Como você ganha dinheiro?
Ronnie Von - Com a propaganda. A televisão ajuda muito a alavancar, mas a agência dá mais dinheiro, no meu caso especificamente. No caso dos megas apresentadores a coisa é diferente, aí o que eles ganham líquido por mês e tenho de faturamento em seis meses.

UOL – Dia 17 de julho você fará 67 anos. O que pretende fazer para comemorar seu aniversário?
Ronnie Von - Todo ano, um grande amigo reúne os mais íntimos para algum tipo de comemoração. Não tenho nada programado ainda, apenas uma certeza: estarei ao lado da minha família, como sempre.

Fonte: Site UOL

Quarenta e cinco anos se passaram desde sua primeira experiência como apresentador. Apesar do longo período na frente das câmeras, Ronnie Von é conhecido também por outras facetas. Músico, publicitário e aviador, ele está prestes a comemorar 67 anos. Mas antes desta festa, ela teve outra celebração. Nessa quarta-feira (1), o apresentador festejou o programa de número 1500 do “Todo Seu”, da TV Gazeta, emissora onde o eterno "príncipe" da Jovem Guarda permanece desde 2004. E, de lá, dificilmente sairá, já que dinheiro nenhum cobre o que ele mais preza no trabalho. “Já recebi ofertas milionárias, mas eu só sairia da Gazeta se eu perdesse o conforto emocional que tenho aqui. Nada é pior na vida do que a cobrança de audiência”, afirmou Ronnie ao iG Gente.
Ronnie Von durante a gravação de seu programa "Todo Seu"

O apresentador costuma chegar à emissora às 19h, após trabalhar o dia todo em sua agência de publicidade, a Societá & Von Comunicação. A partir daí, tem cerca de uma hora e meia para passar o roteiro, conversar com o diretor, revisar o texto do merchandising, além de fazer a maquiagem e dar uma última ajeitada no cabelo. Engana-se quem pensa que essas duas últimas partes são as mais demoradas para Ronnie, que aparece sempre impecável no vídeo – e longe dele -- e tem fama de metrossexual. São menos de três minutos sentado na cadeira da maquiadora e o mesmo tempo com o cabeleireiro. “As minhas vaidades maiores são o colarinho e os punhos (da camisa), que têm que ser impecavelmente passados”, confessou o apresentador.

Da sala da maquiagem, Ronnie segue para o estúdio do canal, onde cumprimenta todos os convidados e a equipe de produção, composta por cerca de 30 pessoas. O apresentador inicia a gravação pouco antes do “Todo Seu” ir ao ar. Enquanto um bloco é assistido pelas bonitinhas (como Ronnie se refere às telespectadoras) em casa, o segundo está sendo gravado.
Ronnie Von: "lavo, passo, cozinho e arrumo com perfeição"
Depois do sinal de gravando, ele só para o trabalho duas horas depois. E já jantado - com a receita que o chef convidado do dia prepara durante a atração.

iG: Você está comemorando o programa de número 1500 na Gazeta em uma época em que o troca-troca de emissoras é intenso. O que te faria deixar a TV Gazeta? Uma proposta milionária?
Ronnie Von:
Oferta milionária eu tive. Algumas. Eles sabem aqui na casa. Eu sairia se eu perdesse o conforto emocional que eu tenho aqui. Nada é pior na vida do que a cobrança de audiência. Sou publicitário, reconheço que é importante a audiência, mas ela na verdade não traz o recurso para a emissora. Quem é que paga o salário do câmeraman, da produção, e, eventualmente, o meu? É o anunciante. Ele que traz o recurso. Agora, você ter audiência por ter, para ver uma televisão escatológica, pornográfica, eu não tenho talento para fazer isso. Aqui nunca fui cobrado pela audiência. Isso dá um conforto emocional.

iG: O que assiste quando está em casa?
Ronnie Von:
Assisto muito TV a cabo e gosto muito de documentários e telejornalismo. Sei muito pouco da programação de televisão aberta, mas por dever de oficio, tem que conhecer, ver de tudo um pouquinho, mas jamais o produto inteiro. Um dos meus mais íntimos e queridos amigos é o Fausto (Silva). Adoro o Fausto. Pessoa dadivosa, sensacional em tudo. Eu nunca assisti o programa dele de cabo a rabo. Aquela vídeo-cassetada eu gosto muito. Não tenho habitualidade de assistir a programação das grades abertas. Até porque não tenho tempo.

iG: Você foi um dos grandes galãs sua época e, hoje, chega a ser taxado de metrossexual. Se considera assim?
Ronnie Von:
Se o metrossexual é aquele que jamais vai deixar a mulher botar a mão em uma maçaneta, é aquele que jamais vai deixar de puxar uma cadeira para uma mulher sentar, eu sou metrossexual. Agora, se você acha que metrossexual é aquele que usa creme, que passa não sei o que no cabelo, na pele, não sou. Não me cuido mesmo, não passo nada. Não é que eu não vá fazer cirurgia plástica, mas eu tenho medo de um dia fazer e a coisa ficar pior. Me chamam de metrossexual, mas dizem que metrossexual é aquele que se cuida muito, que gosta muito de espelho, meio narcisista. Estou fora!

Ronnie Von: "Sou uma pessoa de hábitos bastante simples comigo mesmo. Não me cuido mesmo, não passo nada"

iG: Mas você não tem nem um pouco de vaidade?
Ronnie Von:
Todo mundo que trabalha com comunicação tem uma certa vaidade e eu também, evidente que tenho. As minhas vaidades maiores são o colarinho e os punhos (da camisa), que têm que ser impecavelmente passados. E o terno tem que ser bem cortado, tenho que estar sempre arrumado, parecer que saí do banho o tempo inteiro. Não saio de casa sem uma colônia, não existe esse tipo de possibilidade nunca.

iG: Em seu livro “Mãe de Gravata” (1994) você fala sobre seu momento “pãe”. Qual foi o maior aprendizado neste período?
Ronnie Von:
Para um homem criar filhos em um ambiente machista é muito complexo. Uma cabeça coroada da Europa, sendo homem, ele vai saber cozinhar, passar, arrumar, porque um verdadeiro príncipe sabe fazer isso, faz parte da educação europeia. Aqui não. Não sei em que almanaque está escrito que mulher faz isso, homem faz aquilo. O homem moderno que se cuide, porque se ele não dividir essas tarefas ditas femininas, ele vai estar uma situação bastante complicada daqui pra frente.

iG: Sofreu algum tipo de preconceito por entender tanto do universo feminino?
Ronnie Von:
Sofri. Quem é que podia vestir minha menina? Era eu, não tinha com quem dividir. Me lembro uma vez que eu tinha um misto de motorista e segurança, era um armário. Nós fomos numa loja de lingerie. Eu, cabeludo, veio a vendedora ajudar, cheia de dedos. Ela trouxe umas coisas muito sem graça e perguntei se não tinha nada com bordado inglês. E ela rindo, já imaginando uma outra coisa. Quando olho para trás na porta, 'cadê o Carlão?' Estava cheio de gente do lado de fora, querendo entrar. Aí eu disse “meu Deus do céu, olha o rolo para comprar uma lingerie para minha filha”. Aí a vendedora me levou para o estoque, fiquei lá umas três horas, a multidão se dissipou, mas eram gritos, me chamando de “bicha”.

iG: Esse preconceito era somente nas ruas ou também entre amigos?
Ronnie Von:
Eu era descasado, mas sou bicho de toca. Então, continuei recebendo os amigos em casa. E sempre ficava do lado das mulheres, porque elas, sim, tinham subsídio para me fornecer. Com os homens, a conversa era a mesma: futebol, negócios, mulher. Uma vez, saiu em uma revista uma moça que eventualmente eu tive um romance. Vieram me mostrar e eu disse: “beleza, tá maravilhosa, linda essa capa da "Playboy", mas vou te mostrar, rapaz, uma toalha de mesa que você não vai acreditar”. Aí falaram “pô, Ronnie, até você, jogando água fora bacia?”. Você vê que é um problema cultural, machista, latino-americano. Passei a ter uma visão absolutamente feminina da vida. Morro de medo de mulher. Por isso, estou sempre cercado delas pra tudo na minha vida.

iG: Que medo é esse de mulher?
Ronnie Von:
Da determinação delas. A mulher, quando quer uma coisa, consegue. O homem vai pedir “com licença”, dá a volta. A mulher tem uma coisa de perversidade, de vingança, de dissimulação. Por exemplo, nós homens, quando nos encontramos, falamos: “aê seu vagabundo, você não presta mesmo, é um cafajeste, rapaz”. Aí o cara vai embora e você vira para o outro e fala “adoro fulano”. A mulher já é o contrário. Na frente, ela fala “que lindo seu cabelo, você é tão linda”. Saiu, “essa perua”. É assim, então eu tenho que estar sempre de bem com elas, mas exatamente por ter convivido com elas, que me ajudaram muito, eu aprendi a respeitar e ter medo. Deus me livre de ser vítima de uma vingança feminina. E claro, aprendi a gostar das coisas ditas femininas. Cama, mesa e banho é comigo mesmo. Lá em casa, minha mulher não compra uma peça de roupa, visto ela dos pés à cabeça. De sapato a lingerie.

Ronnie Von: "Só sairia da Gazeta se eu perdesse o conforto emocional"

iG: Em um de seus programas, um dos conselhos que você deu a um rapaz que queria saber se era ou não homossexual virou hit com sua resposta “significa”...
Ronnie Von:
(risos) É um programa que nós temos toda quarta-feira que se chama “Conselheiro Sentimental”. Não tem produção, eu simplesmente leio os emails e gosto de ler na hora para ser impactado junto com os convidados. Estávamos estourados com o tempo e recebo um email com o seguinte teor. “Ronnie, fui à festa na casa de um amigo de um amigo meu. Desde esse dia nunca mais consegui tirar ele da cabeça. (...) isso significa que sou gay?”. Significa! E parti para outra, porque eu tinha muita coisa para responder, muito email. Aí eu falei rápido. O (Marcelo) Tas, que é meu amigo, estava vendo, ai veio aquilo tudo que você já viu. As pessoas na rua passam, vem falar comigo... “e aí, significa?”. Virou um hit mesmo.

iG: Você falou que é amigo do Tas e o “significa” foi parar no Top Five, do “CQC”, mas não foi a primeira vez que aconteceu isso. Te incomoda?
Ronnie Von:
Não, não, pelo contrário. Quando a coisa se torna popular, você não pode contraria não, porque essa, de fato, outro clichezão, é a voz de Deus.

iG: Qual um sonho de Ronnie Von?
Ronnie Von:
Tinha muita vontade de ter uma fundação que cuidasse da velhice desamparada. Agora, os sonhos materiais, acho que são passíveis de discussão.

iG: Não pode citar alguns?
Ronnie Von:
Vou citar um, então. É tão distante, tão impossível de ser realizado, é até pra rir, mas eu sonhava e sonho até hoje em ter um Falcon 900. Sou aviador e esse é um trirreator da Dassault, o sonho de consumo para qualquer pessoa que gosta de aviação. Mas é tão distante da minha realidade, que ele vai ser sonho mesmo.

iG: Como você se define?
Ronnie Von:
Um homem comum, com os mesmos problemas, anseios e necessidades de todo homem comum da minha época. Só tenho uma atividade ligada à comunicação, uma profissão de vitrine, mas me considero uma pessoa muito comum, mesmo. Se alguém me olha muito na rua, eu acho que a gravata está fora do lugar, que estou sujo, o cabelo está despenteado, qualquer coisa assim.

Fonte: Site IG

A série de vídeos "2 Choops" do site Yahoo! fez uma entrevista com o apresentador Ronnie Von.

Confira no link: http://br.entretenimento.especiais.yahoo.net/originais/2011/04/06/2-chopes-com-ronnie-von/

Cantor e apresentador falou com Contigo! Online sobre o dia em que disse “significa”

Confira a matéria no link: http://contigo.abril.com.br/noticias/ronnie-von-explica-como-virou-hit-de-internet-veja-video

- O Estado de S.Paulo

"Quando me convidaram para escrever sobre a época da Jovem Guarda, a princípio relutei. O motivo? O de sempre: nunca fiz parte da Jovem Guarda. Jovem Guarda era o programa que o Roberto apresentava aos domingos na TV Record. Em outubro de 1966, quando estreei o programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, exibido aos sábado na mesma Record, o Jovem Guarda já era o maior fenômeno da TV brasileira da época. Porém, assim como eu, os artistas que se apresentavam em meu programa, não podiam participar do Jovem Guarda, e vice-versa. Tudo devido à rixa que afirmavam existir entre mim e o Roberto.

Atualmente, todo e qualquer artista que fez sucesso naquele período, que não fosse da MPB tradicional, é enquadrado no "movimento" Jovem Guarda que virou uma marca tão forte, que, por mais que explique não ter feito parte dela, fiquei marcado como sendo um de seus expoentes. Não que isso me aborreça, mas é um equívoco que acredito estar arraigado a tal ponto, que jamais conseguirei ver-me livre do título de Príncipe da Jovem Guarda.

Minha querida amiga Hebe Camargo com certeza não imaginava, ao me apelidar de Pequeno Príncipe, que a alcunha seria responsável por uma das rixas mais famosas da música brasileira, a rivalidade absolutamente inexistente entre mim e o Roberto. Quando surgi no cenário musical, em 1966, Roberto já era o Rei. Nunca tive a intenção de concorrer com ele. O massacre da mídia era tamanho que chegou um ponto em que nós mesmos passamos a acreditar que a rivalidade era real. Graças à intercessão de minha ex-mulher, então amiga da ex-mulher do Roberto, tudo foi esclarecido. Eu e Roberto nunca chegamos a ter uma amizade íntima, mas temos uma relação de afetividade e respeito, apesar de não mantermos contato frequente, já que nossas vidas tomaram rumos diferentes, eu me estabeleci em São Paulo e o Roberto no Rio.

Voltando àquela época, meu envolvimento era muito maior com o pessoal da Tropicália, mas interesses comerciais fizeram com que eu me afastasse do grupo. Esse é um dos grandes arrependimentos que tenho em minha carreira. Depois disso, vi a Tropicália explodir e eu, que estava lá no início de tudo, de fora. Mas isso é outra história..."

Fonte: Site do Estadão


ronnie-vonSimpático e talentoso, quem dá as dicas na Coluna Indicativa desta semana é o cantor, compositor e apresentador Ronnie Von. Ícone da música da década de 1960, época da Jovem Guarda, Ronnie se destacou também como apresentador de TV ao comandar pela primeira vez o programa musical “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”, por onde foram descobertos importantes artistas e grupos brasileiros como Os Mutantes, Eduardo Araújo, Gal Costa, entre outros.

O cantor compartilha com os leitores do Guia Cultural Brasil sua seleção cultural. Veja abaixo:

Livro:
"O despertar dos mágicos" (Louis Pauwels/Jacques Bergier). Não sei se hoje o livro me impressionaria tanto, mas eram os anos 60, auge do psicodelismo e a busca interior era algo que todos perseguiam. Esse livro ampliou meus horizontes e me fez ver o mundo de forma diferente.

Filme: "Metrópolis" (Fritz Lang). O filme é dos anos 20, mudo, mas o caráter de "futurologia" é até hoje impressionante. Não sei se o próprio Fritz Lang tinha a noção exata da importância que esse filme viria a ter mais tarde. Com certeza nenhum outro filme "previu" o futuro de maneira tão crua e exata como "Metrópolis", talvez apenas "Tempos Modernos" do Chaplin. A versão dos anos 80, com trilha sonora do Queen (pena que é colorizada em alguns momentos) é espetacular também.

Lazer: Um passeio no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Para quem gosta de Botânica, como eu, é o paraíso! 

Viagem: Buenos Aires, Argentina e Palma de Mallorca, Espanha. Esses dois destinos têm significados especialíssimos na minha vida. Vivi momentos inesquecíveis, tanto profissionais, quanto pessoais nesses lugares. 

CD ou música: Concerto para piano e orquestra em Lá de Bach, com a Orquestra Sinfônica e Sophia, Bulgária e solo de João Carlos Martins. Não há como explicar. Só ouvindo.

Foto: Chico Audi

Fonte: Site Guia Cultural Brasil

Ronnie Von foi Príncipe do iê-iê-iê, mãe de gravata e sobrevivente de uma doença rara

Em meados dos anos 80, aos 35 anos, Ronaldo Lindemberg Von Schilgen Nogueira enterrou qualquer chance de ganhar na lo­te­­ria ao driblar as estatísticas e sobreviver a uma doença ra­ra e mor­t­al: polineurite plurirradicular, uma inflamação no sis­­tema nervoso que provoca dores medonhas e entreva suas vítimas na cama por meses até que elas, misericordiosamente, morrem. Registros médicos apontam que apenas duas pessoas no mundo vence­ram a bata­lha contra o vírus letal: ele e um cidadão australiano. Mas não é por ter virado caso de estudo médico que Ronaldo é um sujeito fa­mo­so.

Filho mais velho de uma abastada família fluminense, nasceu em Niterói, em 1944, e foi educado para administrar os negócios do clã. O pai, diplomata, e os tios eram donos de banco e de uma corretora de valores. Ronaldo estudava economia e seguia obediente a trilha de herdeiro, mas quis o destino que estivesse num certo bar, num certo dia de 1963 em que uma certa banda to­ca­va Beatles. Ronaldo fornecia discos difíceis de se achar no Brasil e foi chamado ao palco pelos amigos para cantar uma música, por far­ra. Na pla­téia, um jovem executivo do mercado fonográfico (sim, ele, o oni­presente João Araújo, pai de Cazuza e ex-todo-poderoso da Som Livre) viu no garoto de olhos azuis e rosto de prín­cipe a chance de ganhar um bom dinheiro. E assim foi criado Ron­nie Von, o cantor.

O Rio, e na seqüência o Brasil, se entregou ao charme do ra­paz que começou cantando Beatles, uma obsessão, mas que ficou fa­moso como intérprete de iê-iê-iê. Ronnie era u­ma es­pé­cie de Felipe Dylon da época. A diferença é que cantava aquelas mú­sicas bobas a contragosto. Se dependesse dele, es­taria fa­zendo rock psicodélico. Chegou a gravar dois discos ex­pe­ri­mentais, que foram fracasso de venda, mas que hoje são cultuados por gente como Otto e a banda pernambucana mombojó.

Briga com o Rei

Com a pinta de galã que ti­nha, Ronnie virou o queridinho das AMs e ganhou um programa na TV Record: O Pequeno Mundo de Ronnie Von, que fazia fren­te ao Jovem Guarda, de Roberto Carlos. Na época, o Rei não es­con­­deu de nin­guém que não gostou da chegada de um príncipe - como, aliás, Ronnie ficou conhecido. A família tra­dicional tam­bém detestou a virada na vida do herdeiro.

Para piorar, a es­posa, Are­thusa – com quem havia se casado aos 19 anos – saiu de ca­sa e o deixou só com os fi­lhos, Ales­sandra e Ronaldo, na época com 7 e 6 anos. Ronnie se adaptou bem ao novo papel, mas aí veio a do­en­­ça que quase o matou. A carreira de músico foi pro espaço e, nas dé­ca­das seguintes, o príncipe teve de se contentar com a apresentação de programas de TV como Qual é a Mú­sica, na extinta Tupi. Hoje, casado com a ami­­­ga de infância Cris­tina, com quem teve um terceiro filho (Leo­nar­do, 17 anos), e três vezes avô, comanda na TV Gazeta o Todo Seu. Foi em sua casa no bairro pau­listano do Morumbi que o encontra­mos para voltar ao pas­­­­­sado e entender melhor as mil voltas que a vi­da de Ronaldo já deu.

Você já ouviu falar em metrossexual? Será que você se encaixa nesse conceito?

Ronnie Von. Curioso você me perguntar isso porque eu estava numa banca de jornal outro dia e vi dois homens me apontando e discutindo se eu era ou não gay. Daí um deles se aproximou e disse: “Ronnie, você me desculpe, mas eu tô falando pra esse idiota aqui que você não é bicha, que você é metrossexual”. Eu respondi: “Olha, meu caro, eu nunca pintei unha na minha vida porque acho brega homem de unha pintada – agora, eu tenho de fato a cabeça feminina. Fui um homem que criei filhos sem mulher e acabei me apaixonando pelas coisas femininas. Eu gosto de cama, mesa e banho, sei fazer ponto cruz...”. Mas meu negócio é mulher. Sempre foi. Acho homem grosseiro, insensível, bobo... Enfim, não é a minha.

Você sempre teve essa cabeça feminina?

Evidente que não. Com 15 anos entrei para uma academia militar e fui ser cadete da Aeronáutica. Eu adorava aviação. Queria ser aviador, mas minha família tinha um grupo financeiro e acabou me recrutando para trabalhar lá.

E quando esse seu lado feminino aflorou?

Acho que foi quando tive um caso com uma amiga da minha mãe [risos]. Eu tinha 18 anos, ela era separada, tinha 42. Foi a mulher mais elegante, educada e gentil que eu vi na vida. Fiquei apaixonado e cheguei a me mudar para a casa dela, uma cobertura na ave­ni­da Atlân­tica [em frente à praia de Copacabana]. Hoje ela deve ter uns 84 anos, olha a barbaridade! Na época, minha mãe ficou uma fe­ra. Me lembro até hoje do dia em que ela foi me buscar, uma ver­gonha. Me escondi quando vi minha mãe na porta – pra você ver como eu era maduro [risos]. Aí ela fez um discurso, disse que a ami­­ga havia me seduzido, que isso não era correto, falou por ho­ras ali na porta. Ficamos juntos oito meses e talvez eu deva a essa mu­lher a visão feminina da vida porque ela me ensinou tudo e mais um pouco.

Você fez faculdade de economia, não foi?

Fiz obrigado, porque eu detestava. Queria ser arquiteto, aviador, tudo menos economista. Mas meu pai e meus tios tinham um banco comercial, um banco de investimentos, um banco múltiplo, uma corretora de valores, uma outra de seguros e uma financeira. Enquanto eu estudava, montei minha própria corretora e, aos 20 anos, era o reizinho do mercado. Investia grana alta, perdia e ga­nhava muito dinheiro.

E mesmo com a faculdade e o trabalho você ainda insistia na coisa de ser piloto?

É que eu era fascinado por velocidade. Nunca esqueço a primeira vez que pilotei sozinho um Fokker S-11. Tinha 19 anos, foi a melhor sensação da minha vida. Mas tive de abandonar a aviação porque fui obrigado a escolher entre a faculdade de economia e a Aeronáutica. A pressão da família foi muito grande. Mas dei um jeito de continuar perto da aviação e consegui um emprego na Vasp. Voei comercialmente, mas por pouco tempo.

Você pilotou aviões de carreira?

Algumas vezes. Pilotava mais aviões de carga. Saía do Rio e ia pra todo canto do Brasil. Mas também trabalhava nos negócios da família. Comecei a ganhar dinheiro, o que me seduziu. Tinha casado muito cedo, precisava sustentar a família e terminei desistindo da aviação.

Com quantos anos você casou?

Com 19. Com 23 tive meu primeiro filho, o Ronaldo.

E a música entrou na sua vida como?

Meu pai, que era diplomata, estava servindo em Londres. E era justamente essa a época dos Beatles, né? Ele me mandava de lá todos os LPs, muito antes de as músicas estourarem por aqui. Daí conheci uns caras que tinham uma banda que só tocava Beatles e comecei a emprestar os LPs pra eles e a ir a todos os shows que eles faziam em bares e boates. Num desses shows, os caras da banda, sem eu saber, pegaram o microfone e disseram: “Tá aqui na platéia o Ronnie, que é o cara que fornece os discos pra gente. Eu queria convidá-lo para subir aqui e cantar uma música”. Eu gelei, tentei sair correndo. Mas foram me pegar lá fora e, quando entrei, o bar inteiro estava gritando: “Canta, canta!”. Aí eu subi no palco tremendo e cantei “You’ve Got to Hide Your Love Away”, que ninguém aqui tinha ouvido. E foi um sucesso.

A partir daí você resolveu cantar?

Isso nem me passava pela cabeça. Eu vinha de uma das famílias mais tradicionais do Rio e, naquela época, ser artista era subversão, rebeldia. Mas olha como a vida é curiosa. Sabe quem estava na platéia naquela noite? O João Araújo [pai de Cazuza, na época executivo do mercado de música e prestes a fundar a Som Livre].

Ele gostou da sua performance?

Ele chegou pra mim naquela mesma noite e disse: “E aí, moleque, vamos fazer um disco?”. Achei que era deboche. O João foi quem me inventou. Ele já chegou cheio de idéias, querendo fazer um compacto com um lado cantado em português e outro em inglês. Eu topei, na certeza de que ninguém ia ouvir aquilo. No lado A, cantei uma versão traduzida de “Girl”. No B, “You’ve Got to Hide Your Love Away” em inglês.

E estourou?

Como uma praga. “Girl”, que se chamou “Meu Bem”, tocava de manhã à noite, foi um hit, primeiro lugar absoluto nas paradas. Aí o céu desabou na minha cabeça. Primeiro, meus amigos da faculdade me execraram: “Ronnie, que história é essa de tocar música de periferia? É preciso fazer música engajada, de esquerda, com men­sagens sociais”. Eu era o típico burguês de esquerda, sabe? Ha­­via dois tipos de burguesia de esquerda na época: a escocesa, que só to­mava uísque 12 anos, e a francesa, que só tomava Dom Pé­­rignon. De dia, manifestações veementes na UNE a favor do po­­vo, com men­sagens trotskistas, citações leninistas e marxistas, e le­­van­do ca­cete da polícia. À noite, champanhe numa cobertura de Ipa­­ne­ma.

A sua família achava o que do Ronnie cantor?

Eles eram radicalmente contra. Achavam que eu tinha sido possuído, que ia jogar o nome da famíla na lama. E foi assim, sem respaldo nenhum, que aos 22 anos, depois de me formar, me mudei para São Paulo para tentar ser cantor. Eu e Arethusa, minha mulher na época, que foi uma supercompanheira.

Onde vocês foram morar?

Num hotelzinho muito elegante ali na praça Julio Mesquita, uma coisa de primeira linha [risos]. Mas o que eu não sabia é que a fase difícil estava apenas começando. O preconceito dos amigos e da família não foi nada perto do que sofri de outros músicos.

O que eles faziam?

Tive que ouvir coisas do tipo: “Esse filhinho de papai tá tomando o lugar de alguém que precisa”. Ou: “Só porque é bonitinho e rico acha que vai conseguir emplacar”. Ouvia isso principalmente do grupo do Roberto Carlos, da jovem guarda.

Por que Roberto Carlos implicou com você?

Não sei. Ele era o rei, começaram a me chamar de príncipe, e acho que ele não gostou muito. A rivalidade piorou em 1966, quando fui contratado pela Record para ter um programa só meu, concorrente do dele, o Jovem Guarda, também exibido pela Record. Na época, fui advertido por gente lá de dentro de que a Record estava me contratando para me deixar na geladeira e, assim, evitar que outra emissora me contratasse para rivalizar com o pessoal da jovem guarda. A intenção era me anular.

E você acreditou nisso?

Eu achei aquilo muito fantasioso. Só muitos anos depois soube que era mesmo essa a intenção. O fato é que me jogaram lá dentro para comandar um programa de música, mas não tinha formato, casting, nada. Aí decidi que ia pegar os discos que meu pai mandava da Inglaterra e ia cantar aquelas músicas na TV. Eu, uma menina que ficou minha amiga em São Paulo e que também adorava Beatles e mais dois rapazes. Sabe quem eram eles? Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sergio Dias.

Os Mutantes?

Pois é, mas eles não tinham ainda esse nome. Nessa época eu estava lendo um livro chamado Império dos Mutantes e achei que esse poderia ser o nome da banda deles. Meu programa de TV era eu e um trio: os Mutantes. E, contrariando todas as expectativas, tivemos muita audiência.

A rivalidade com Roberto Carlos continuava?

A todo vapor. Quem ia ao meu programa era proibido de ir ao dele. E vice-versa.

Vocês não se encontravam nos corredores da Record?

Sempre. Mas ele não me olhava. Tentei ligar para o Roberto várias vezes, mas ele nunca me atendeu.

Você gostava de Beatles, viu nascer os Mutantes. Como acabou fazendo música popularesca?

Nunca gravei aquilo que queria gravar, só o que os executivos mandavam, o iê-iê-iê, que vendia como água. Eles diziam: “Grava isso aí que é muito legal”. Eu achava tudo uma droga, mas gravava. Não havia tempo para experimentações, para dar vazão ao movimento do rock’n’roll que estava surgindo e que era o que eu realmente queria fazer. Os únicos dois discos que fiz da minha cabeça, que eram uma coisa mais experimental, mais psicodélica, underground, quase eletrônica, foram grandes fracassos de venda e quase acabaram com minha carreira. Eu achava que ia haver uma hora em que eu poderia fazer a música que eu queria e ga­nhar di­nheiro com ela. Enquanto isso, ia cantando aquilo que me mandavam cantar. Só que não houve essa hora.

Mas esses dois discos [Ronnie Von no3 (1967) e A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre contra o Império do Nuncamais (1969)] hoje são reconhecidos como seus melhores...

Pois é, viraram cult, custam US$ 500 [N.R.: encontramos na Ba­ratos Afins, na Galeria do Rock, em São Paulo, cada um por R$ 150]. Em um deles, tem uma faixa que o Caetano canta comigo, é uma das minhas prediletas. Na Áustria tem um site dedicado apenas a vender meus trabalhos antigos.

Nesses dois discos há músicas de Tom Jobim, Paulinho Tapajós, Renato Teixeira, Juca Chaves, Benito di Paula... Você também compunha?

Pouca coisa. Às vezes letra, às vezes música. Mas de todas as músicas que cantei até hoje devo ter composto só 20%.

Aí você sucumbiu ao iê-iê-iê sem psicodelismo e virou popstar.

A verdade é que fui feliz. Andava com 16 seguranças, era uma loucura. Cheguei até a encontrar uma menina debaixo da minha cama.

Como assim?

Na época, Arethusa e eu já morávamos no Morumbi, que era um bairro distante. Essa menina pulou o muro quando eu não estava em casa, foi até o meu quarto, se escondeu debaixo da cama e ficou lá a noite inteira. Eu cheguei com a Arethusa e fui dormir. No dia seguinte, meu cachorro entrou no quarto e foi direto para baixo da cama. Acho que nunca levei um susto tão grande. Os fãs iam até mi­nha casa e faziam piquenique na porta. Na minha e na do Ro­ber­to.

Depois você se separou e ficou com a guarda de seus fi­lhos. Por que eles ficaram com você e não com a mãe?

Me separei em 1975, quando fazia o Qual É a Música na TV Tupi. A Arethusa achou que eu era a pessoa mais capacitada do casal, e eu sabia que era mesmo. As crianças eram pequenas, tinham 7 e 6 anos. A Arethusa foi embora para o Rio e eu assumi o dia-a-dia dos dois. Fazia o jantar, a lição, colocava para dormir, cuidava quando ficavam doentes.

Você foi mais pai ou mais mãe?

Fui mãe. Não tenho nenhuma dúvida disso. Fui mãe com ataques de mãe, sabe como? A mãe que dramatiza, que faz cena? Era eu. Já cheguei ao ponto de me jogar no sofá, levar a mão à testa e dizer: “Vocês não valorizam o meu sacrifício!”. Eu fiz isso. Fui mãe boazinha, mãe repressora. Fui todo tipo de mãe.

E como conciliou a carreira com a maternidade?

Tive que abrir mão de viagens, de shows, porque não dava para criar os dois e sair por aí. E não ia abrir mão de levar e buscar na escola, de almoçar e jantar todos os dias com eles. Isso para mim era fundamental.

Foi aí que você abandonou a carreira de cantor?

Comecei a negligenciar essa história da música. O que foi um equívoco. Mas eu não tinha alternativa. São prioridades na vida. A verdade é que não agüentava mais ser discriminado. Foi uma coisa muito pesada, sabe? A imprensa foi cruel, alguns artistas foram cruéis... Eu poderia justificar todos os fracassos artísticos da minha vida culpando, por exemplo, o grupo do Roberto. Poderia culpar alguns jornalistas da editora Abril, que também pegaram pesado com o “filhinho de papai”. Mas a culpa é minha. Eu é que não soube conduzir minha carreira, que é toda irregular, cheia de altos e baixos, é uma maluquice. Nunca fui bem orientado.

Você acha que se você fosse feio e pobre a imprensa teria sido mais complacente?

Seguramente. Aí eu seria considerado de fato um cara brilhante e teria estourado por anos e anos.


Você passou pelos anos 60, 70, os anos de maiores experimentações com drogas, numa boa?

Era absolutamente careta. Adoraria te dizer: “Ah, já tive ótimas ex­perimentações com ácido...”. Mas nunca tive. Nada. Sabe por quê? Porque eu tinha medo. Mas já acompanhei várias viagens de ácido. Numa ocasião, estava no carro com um amigo, e ele co­me­çou a achar que o carro estava emagrecendo e ia nos esmagar. Perguntei: “Como o carro está emagrecendo?”. E ele, histérico: “Você não está vendo que as portas estão vindo para cima da gente?” [ri­sos].


Como você fazia para permanecer careta no meio dos doidões?

Cheguei a inventar que tinha um problema neurológico e que se cheirasse ou fumasse podia morrer. As pessoas levavam a sério.

Foi por essa época que você quase morreu?

Foi em 1980. Peguei um vírus que inflamou meu sistema nervoso periférico inteiro, uma coisa raríssima e também fatal. No mundo inteiro apenas duas pessoas sobreviveram a essa doença: eu e um sujeito na Austrália.

Você achou que ia morrer?

Tinha certeza. Ficava na cama sem conseguir me mexer esperando a hora de morrer. Cheguei a pedir para um enfermeiro me matar. Eram dores medonhas, eu passava o dia uivando. Imagina a dor de um nervo de dente exposto, só que em todo o seu corpo. Era isso que eu sentia. Eles me davam morfina, mas a morfina não fazia efeito nenhum. Não sei como eu agüentei.

Alguns jornais chegaram a anunciar sua morte.
Cinco. Três, se não me engano, deram hora e local do meu enterro. Li até alguns obituários feitos para mim [risos].

O pessoal que te espinafrou no começo da carreira apareceu nessa hora?
Apareceu.

O Roberto também?
Na época a gente já tinha ficado amigo porque a Nice [primeira mulher de Roberto] ficou amiga da Arethusa. Mulher resolve tudo na vida, né? Eu digo que essa é uma sociedade subterraneamente matriarcal e é verdade. Homem é muito babaca, sabe? Ainda mais homem que acha que controla tudo, porque homem não controla nada. É a mulher que controla tudo. Mas deixa pra lá. Voltando a sua pergunta, eu me lembro do Roberto sentado ao lado da minha cama quando eu estava muito mal. Hoje nos damos muito bem.

Durante quanto tempo isso?
Fiquei um ano na cama, paralítico. Depois precisei de mais três para me recuperar completamente. Nessa época, muita gente me ajudou a cuidar das crianças. A Arethusa, meus pais, a namorada, os amigos.

E como você se curou?
Fui melhorando aos poucos e consegui sobreviver. Mas até hoje não se sabe como. Foi um milagre.

O que mudou na sua vida depois dessa experiência-limite?
Saquei que a vida é um prêmio. E entendi que o ser humano morre de verdade quando perde a capacidade de sonhar. Quando estava naquela cama, não sonhava mais. Se você tirar o sonho do coração de um homem, você tira a própria vida dele. Eu tive que ficar à base de antidepressivos, tive que voltar das cinzas.

Você foi um homem mais feliz depois da doença?
Olha, eu encontrei a mulher da minha vida depois disso. Nem sei se soa idiotesco, mas a história desse meu casamento foi muito forte na minha vida. E foi isso que me fez ser um homem muitíssimo mais feliz.

Você e Cristina se conheceram como?
Cristina e eu fomos criados juntos porque as famílias eram amigas. Ela é dez anos mais moça, sempre a considerei uma irmã caçula. Era minha melhor amiga, minha confidente. Arethusa e eu chega­mos a levá-la a Disney quando ela era pequena, veja só. Mas depois da doença a gente se aproximou de uma forma mais intensa, e eu re­­sol­vi convidá-la para fazer uma viagem comigo à Argentina. E foi lá que tudo aconteceu. Olha, vou te dizer que ela foi a maior sur­presa da minha vida. Porque eu já saí com muitas mulheres e des­cobri que as que fazem o tipo mais arrebatador, as mais sedutor­as, são todas ruins de cama. Já Cristina, com aquela cara de santa, meu Deus! Es­­sa mulher me deixou maluco. Não é à toa que estamos juntos até ho­je.

E o que você espera do futuro?
Existem alguns acertos que eu tenho que fazer, mas tenho consci­ên­cia que falta muito pouco tempo agora. Estou com 60 anos, e a expectativa de vida do brasileiro é de 76. Pensar nisso me dá medo, me assusta muito.

Por quê?
Porque eu acho que a brincadeira está acabando. E pensar nisso me deixa em crise. Ter que enfrentar a própria mortalidade, isso é mui­to duro, sabia?
Porque ainda tem tanta coisa que eu quero fa­zer...

Fonte:
Site Revista TPM

«InícioAnterior123456PróximoFim»
Página 1 de 6